José Valizi

 

Fazendinha do Valizi - Memórias de José Valizi

 

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O dia em que o gatinho deu sujeira...

por José Valizi (publicado em 04/05/2016)

 

Ilustração: Júnior Valizi (desenho) e Miguel Valizi (pintura)

O dia em que o gatinho deu sujeira (Ilustração: desenho de Júnior Valizi, e pintura de Miguel Valizi)

 

Neste capítulo das minhas memórias quero relembrar uma história engraçada que aconteceu comigo quando eu apresentava o programa "Fazendinha do Valizi", pela Rádio Cultura de Ituverava.

Conforme já contei em outra ocasião, eu apresentava o programa como se ele estivesse sendo transmitido diretamente de uma fazenda; a minha imaginária "Fazendinha do Valizi". E durante o programa às vezes eu precisava soltar o som de algum animal. Mas os recursos de sonoplastia naquela época eram escassos; eu não tinha na rádio nenhum disco com som de animais. Inclusive, em algumas ocasiões tive de ir até fazendas de verdade gravar os sons dos bichos, para depois usá-los no meu programa.

Certa vez cheguei à rádio às 6 horas da manhã, para iniciar o programa. Lá pelas 7 horas, a moça que fazia a limpeza da rádio chegou e, momentos depois, veio até mim dizendo: "Zé Valizi, uma gata deu cria lá nos fundos da rádio, e tem um monte de gatinhos miando". Respondi: "Que bom! Vamos então colocar esses gatinhos para miarem aqui no estúdio".

A moça foi lá nos fundos, pegou uns 4 ou 5 gatinhos e os trouxe para dentro do estúdio, colocando-os sobre a mesa, perto do microfone. Falei para ela: "Você não pode falar nada aqui dentro do estúdio; fique quietinha; apenas vigie os gatinhos, porque se você falar algo inconveniente, e for para o ar, pode dar problema para a rádio". Quero ressaltar que naquela época a censura por parte do órgão fiscalizador (DENTEL - Departamento Nacional de Telecomunicações) era muito rígida. Toda a programação da rádio, que ia diariamente ao ar, era gravada em rolos de fita, os quais eram posteriormente recolhidos por aquele órgão, para verificação; caso encontrassem algo inapropriado, a emissora poderia sofrer punições. Inclusive, era comum naquela época o fechamento de emissoras de rádio. Para vocês terem uma noção, algumas palavras com sentido torpe, obscenas, depreciativas ou simplesmente desagradáveis, que hoje em dia são ditas sem nenhum constrangimento, principalmente pelos mais jovens, naquela época não podiam ser ditas em veículos de comunicação. Por isso eu alertei à moça da limpeza que não dissesse absolutamente nada dentro do estúdio; apenas vigiasse os gatinhos, mantendo-os sobre a mesa, e próximos ao microfone.

Combinado isso, assim que terminou de tocar o disco prossegui com o programa, dizendo: "Hoje está um belo dia aqui na fazendinha; a bicharada está toda contente, fazendo uma algazarra danada". Nisso, a moça da limpeza deu uma cutucada num dos gatinhos, para ele miar; mas ele não miou. Então eu prossegui com a conversa: "Gente, tem até uns gatinhos bonitos aqui na fazendinha, pertinho de mim". A moça tornou a cutucar um dos gatinhos, e novamente ele não miou. E como os danadinhos não queriam miar de jeito nenhum, a moça deu uma apertada na barriga do gatinho, cravando-lhe a unha comprida do seu dedo mindinho; e o gatinho soltou um borrão de fezes sobre a mesa do estúdio. A moça, assustada, exclamou em voz alta: "Ih! Ca***" (desculpe-me, leitor, por não escrever a palavra completa, pois deixaria este artigo um pouco vulgar; mas tenho certeza que você compreendeu o que a moça disse). Rapidamente colocamos uma música para tocar na vitrola, e fiquei desesperado, pensando: "Eu disse para essa moça não dizer nada, e veja só o que ela foi falar... Quando a censura ouvir a fita com essa gravação, vai querer punir a rádio. Meu Deus!". Hoje em dia, algumas palavras são ditas sem nenhum constrangimento. Mas essas mesmas palavras, naquela época, não podiam ser usadas em programas de rádio ou televisão; tal feito era considerado uma falta grave, passível de punição.

Prosseguindo com a história, eu pedi à moça da limpeza que rapidamente sumisse com aqueles gatinhos lá de dentro do estúdio. Entretanto, os ouvintes do programa não sabiam o que estava acontecendo de fato, porque em nenhum momento eu mencionei que dentro do estúdio estava a moça com os gatinhos. E nem ela falou que o gatinho é que tinha feito a sujeira. Dessa forma, no pensamento dos ouvintes, somente eu é quem estava dentro do estúdio, e de repente eles escutam uma voz dizendo aquilo. Então, logo alguns dos ouvintes, que eram meus amigos e que tinham mais liberdade comigo, começaram a telefonar para a rádio e, em tom de brincadeira, diziam: "Zé Valizi, eu apenas queria saber quem é que ca*** aí no estúdio...".

   
   

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